há uma música tocando quase que inaudível em outro cômodo, em outro andar
subo as escadasdisposto a encontrar
deixo meu casaco pendurado à porta
para sinalizar
que ainda estou aqui, e volto
talvez ainda antes do jantar
são telas e cores e emaranhados de flores
criando uma amistosa fronteira entre seres e saberes
ouço os passos, antes de entrar
posso tesourar as plantas e arrancar as daninhas
fumar um charuto de ervas finas
e o aroma não irá incomodar
posso saber dos poemas e dos contos,
pois isso não irá afetar
a relação que eles têm com o homem de chapéu da porta ao lado, que cultua
as letras, as linhas, as tortuosas sinas de entes e famílias
e os cafés e os fuxicos, e os enredos verdadeiros e míticos
de atores que passaram e que virão
de amores eternos e dos que se vão
e da megera, que o lançou em um alçapão
e quem me dera, saber de mais alguma informação