O som penetra e atravessa enquanto
eu teto lhe fazer me ouvir
e não ouvir, quando são sons que não quero
compartilhar com ninguém, nem comigo ou com ele
coisas que suelen pasar na exovida
a vida fora daquela que se quer vivida
aqueles atos falhos e tropeços que acontecem
fora do personagem
que talvez por um obsessor atrelado
ou pensamentos não pensados
ou talvez por dores não curadas,
ou incuráveis
eu vejo você através do muro, lendo
em foz alta, bebendo
sorvendo folhas
deixe o saca-rolhas
na porta de entrada
mas não vou beber vinho novo
tenho um abstrato
que aguarda atento
aos motivos e aos porquês
das exovidas
só com fôlegos à superfície
quando se abre os olhos e se pensa a alma
enxergo
quando eles finalmente saem para passear
e somos nós mesmos por alguns instantes
um quadrante
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