terça-feira, 29 de abril de 2025

quando emerjo à superfície e vejo a vida que quero e a exovida que se repete como uma falha perpétua

 

O som penetra e atravessa enquanto

eu teto lhe fazer me ouvir

e não ouvir, quando são sons que não quero

compartilhar com ninguém, nem comigo ou com ele


coisas que suelen pasar na exovida

a vida fora daquela que se quer vivida


aqueles atos falhos e tropeços que acontecem 

 fora do personagem


que talvez por um obsessor atrelado

ou pensamentos não pensados

ou talvez por dores não curadas,

ou incuráveis


eu vejo você através do muro, lendo

em foz alta, bebendo

sorvendo folhas

deixe o saca-rolhas

na porta de entrada


mas não vou beber vinho novo

tenho um abstrato

que aguarda atento

aos motivos e aos porquês

das exovidas


só com fôlegos à superfície

quando se abre os olhos e se pensa a alma


 enxergo 


quando eles finalmente saem para passear

e somos  nós mesmos por alguns instantes

um quadrante



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