Então, sentamos por alguns instantes. Estávamos até agora correndo, pois ventava muito, e a previsão do tempo alertava sobre o risco de temporais. Não tínhamos medo do temporal, mas não queríamos molhar nossa câmera fotográfica. Havíamos saído para tirar alguma fotografia – ao menos uma, para servir de recordação para sempre. Essa foi a desculpa para a nossa saída. E estávamos procurando um lugar bonito, para que a fotografia ficasse mais especial ainda. É incrível como as fotografias tornam os momentos mais especiais do que eles realmente são. Porém, naquele dia estávamos buscando por um momento especial, num lugar especial, para ter um registro especial.
Acontece que nem achamos o local e nem tiramos a foto. Voltamos correndo para casa, antes que o dilúvio caísse.
Na rua, quem nos viu pensou que éramos loucos, ou no mínimo muito bobos. Viemos todo o caminho da volta rindo, e correndo, e rindo, e procurando em volta para ver se ali mesmo, no caminho, não havia um bom lugar para servir de fundo. Não havia. Então ríamos da nossa sorte, e continuávamos correndo.
Até que, enfim, chegamos. Antes da portaria, havia uma escada. Começamos a subir calmamente. Ele estava na frente, e eu, uns cinco degraus para baixo. Não era o momento esperado, mas era um momento. Ele ergueu a câmera o mais alto que pôde – e foi aí que aconteceu. Uma rajada de vento muito forte soprou, e eu me assustei. Dei um grito, pulei três degraus de uma vez só, desandei a gargalhar. Ele, rindo, se assustou com o meu grito, e no susto, sem perceber, apertou o botão da câmera.
Então, sentamos por alguns instantes. Ali mesmo, no alto da escada. O vento parou. Como já se sabe, parecíamos mesmo muito bobos. E realmente éramos, ou estávamos muito bobos naqueles dias. E como bobos, conversávamos e gesticulávamos e ríamos de tudo até o momento. Ainda estávamos lamentando a tal fotografia que não havia acontecido. Ele pegou a câmera, apenas para dar uma olhada. E qual não foi a nossa surpresa ao ver, penso eu, uma das fotografias mais memoráveis de nossas vidas. Se ele estiver lendo isso, tenho certeza que irá rir. Ou pelo menos sorrir, ao lembrar daquela cena. Se não conto como é a foto, é por vergonha. E também por respeito ao nosso momento.
Ao desavisado, um aviso: não saia em um dia em que a previsão alerta sobre temporais. Fique em casa, espere por um belo dia de sol e então saia para passear. Deixe a expressão da foto do dia do vento como sendo exclusivamente nossa.
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mr. crueldade,
ResponderExcluirme fez relembrar de momentos especiais,
ligados a fotografia,
mais que pra mim pouco importa a foto,
porque ligou a outros momentos especiais sem foto,
que são ligados a momentos bobos.
e outros com chuva.
AUSHUAHSASUHAUSHUAHSUHASUHAS
perfeito!
:D