segunda-feira, 21 de setembro de 2009

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Quando pensou nele, ela sorriu.
Sabe aquele sorriso singelo? Aquele sorriso que traduz toda a beleza do mundo... Aquele sorriso que faz a vida parecer tão linda, que dá vontade de estar ouvindo o som do mar, deitado na areia, aspirando a maresia; entende o sorriso?
É esse mesmo.
Então ela ligou pra ele, pra poder conversar.
Acho que ele não estava em casa, o telefone tocou algumas vezes. Ela desligou, antes que alguém atendesse.
Ela sentou em sua cama, pegou a guitarra e tentou tocar alguma coisa. Mas não conseguiu. A cada cinco notas ela pensava em falar com ele. O clima não estava para guitarra. Estava para violão.
O violão não estava em casa. Decidiu sair.
Pensou em buscar o violão, mas no meio do caminho desistiu. Afinal, teria que ficar conversando aqui e ali, e o clima não estava para conversas.
Foi para a praça e sentou num banco. Havia algumas pessoas barulhentas por lá. Acho que era algum tipo de música muito fora do contexto do coração dela. Definitivamente o clima não estava para aquilo.
Ela sentiu falta de ler. Ela sentiu falta dele.
Ele não estava ali, e não estava ao telefone. Ele não estava na vida dela, ou ela não estava na vida dele, algo assim. Mas a presença dele era tão constante!
E com a cabeça dando voltas, logo ela já estava a caminho da biblioteca. As pernas foram caminhando, caminhando, ela nem via onde estava. Escolheu um livro qualquer, era um pretexto pra pensar.
Tinha um papel e uma caneta na bolsa, escreveu o nome dele algumas vezes. Parava, olhava seu livro, sentia-se boba. Depois desenhava alguma flor, sempre o mesmo modelo de flor, o que ela achava que ficava mais bonito.
E um garoto sentado na outra mesa estava olhando para ela. Ela agora lia. Ele olhou por mais algum tempo, então foi para a mesa dela. Ela conhecia o garoto, falou bastante. Falou sobre seus planos para o futuro.
Até ela sabia que eram planos incertos, aliás, que na outra semana já mudariam. Ela é jovem. Ela pensa muito.
Ela voltou a pensar nele. O garoto se despediu, foi embora. Ela ficou. Ficou e ficou, por um bom tempo, olhou as crianças, as flores ali fora, os caras fumando maconha, o passarinho que cantava esquisito.
Ela resolveu ir embora. Não adiantava nada, ela sabia que não o encontrar
ia ali, nem em algum outro lugar. Suas pernas a levaram de volta; a cabeça ficou vagando por aí.

Um comentário:

  1. Bonito =]
    Mensagens muito belas. Alegres e tristes, mas com uma beleza muito grande.

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